Doenças psiquiátricas roubam mais anos de vida do brasileiro

maio 10, 2011 às 5:49 pm | Publicado em Notícias | Deixe um comentário
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Fonte: Angela Pinho (Folha de S.Paulo)

Com mudanças no estilo de vida dos brasileiros, os transtornos psiquiátricos passaram a ocupar lugar de destaque entre os problemas de saúde pública do país.

De acordo com dados citados em uma série de estudos sobre o Brasil, publicada ontem no periódico médico “Lancet”, as doenças mentais são as responsáveis pela maior parte de anos de vida perdidos no país devido a doenças crônicas.

Essa metodologia calcula tanto a mortalidade causada pelas doenças como a incapacidade provocada por elas para trabalhar e realizar tarefas do dia a dia.

Segundo esse cálculo, problemas psiquiátricos foram responsáveis por 19% dos anos perdidos. Entre eles, em ordem, os maiores vilões foram depressão, psicoses e dependência de álcool.

Em segundo lugar, vieram as doenças cardiovasculares, responsáveis por 13% dos anos perdidos.

Outros dados do estudo mostram que de 18% a 30% dos brasileiros já apresentaram sintomas de depressão.

Na região metropolitana de São Paulo, uma pesquisa, com dados de 2004 a 2007, mostrou que a depressão atinge 10,4% dos adultos.

Não é possível dizer se o problema aumentou ou se o diagnóstico foi ampliado, diz Maria Inês Schmidt, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e uma das autoras do estudo.

Ela afirma também que são necessários mais estudos para saber de que forma o modo de vida nas cidades pode influenciar o aparecimento da depressão, além das causas bioquímicas.

No caso da dependência de álcool, no entanto, há uma relação com o estilo de vida, uma vez que pesquisas recentes do Ministério da Saúde apontam um aumento no consumo abusivo de bebidas.

IDADE AVANÇADA

O envelhecimento da população também contribui para o aparecimento de transtornos psiquiátricos.

De acordo com o estudo, a mortalidade por demência aumentou de 1,8 por 100 mil óbitos, em 1996, para 7 por 100 mil em 2007.

“O Brasil mudou com consumo de álcool, envelhecimento e obesidade e, com isso, temos novos problemas de saúde”, disse o ministro Alexandre Padilha (Saúde).

Em relação às doenças psiquiátricas, ele afirmou que a pasta irá expandir os Caps (centros de atenção psicossocial) e aumentar o número de leitos para internações de curto prazo.

A série de estudos do “Lancet” coloca como outros problemas emergentes de saúde diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer, como o de mama. Eles estão associados a mudanças no padrão alimentar, como o aumento do consumo de produtos ricos em sódio.

Por outro lado, a mortalidade por doenças respiratórias caiu, principalmente devido à redução do número de fumantes.

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Hoje o Grupo de Estudos é especial

maio 2, 2011 às 3:52 pm | Publicado em Notícias | 1 Comentário
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Hoje o Grupo de Estudos da obra de Sigmund Freud é especial e aberto a todos. A partir das 19 horas, Olivan Liger, psicanalista e integrante do Sinpesp, fala sobre “Três Ensaios Sobre a Sexualidade”. Além dos integrantes do grupo de estudos, todos os alunos e interessados em psicanálise estão convidado ao debate.

Saiba mais: www.sppsic.org.br

Ilusões de ótica

março 25, 2011 às 8:07 pm | Publicado em Notícias | Deixe um comentário
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O site Mighty Optical Illusions compilou algumas imagens que enganam nosso cérebro. Vale a pena conferir.

http://www.moillusions.com

Algumas frases de Freud

fevereiro 9, 2011 às 3:52 pm | Publicado em Notícias | 3 Comentários
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“Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro”

“A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”

“Um homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa”

“O pensamento é o ensaio da ação”

“Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte”

“Eduque-o como quiser; de qualquer maneira há de educá-lo mal”

“Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos”

“De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade”

“O falso é, às vezes, a verdade de cabeça para baixo”

“Aonde quer que eu vá, eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim”

“Existem duas maneiras de ser feliz nesta vida: uma é fazer-se de idiota, a outra é sê-lo”

“Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda”

Voz doce transmite empatia

janeiro 27, 2011 às 7:36 pm | Publicado em Notícias | Deixe um comentário
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Do Portal Mente & Cérebro

O modo de falar de cada pessoa tem musicalidade, e essa variação de tom e ritmo, conhecida como prosódia, transmite emoções. Um estudo realizado por cientistas da Universidade do Sul da Califórnia sugere que pessoas com modo de falar mais doce e melodioso estão predispostas à empatia. Por meio de exames de ressonância magnética funcional, os pesquisadores mediram a atividade cerebral de voluntários enquanto falavam ou ouviam vozes com entonações de felicidade, tristeza, interrogação ou neutralidade. Assim descobriram que a área de Broca, que funciona como centro da fala no cérebro, era ativada quando o voluntário ouvia ou falava algo com entonação animada. Participantes com nível mais alto de atividade nessas áreas apresentavam maior empatia.

Ao contrário do que ocorre com a gramática, a semântica e outras propriedades do idioma, a prosódia é universal entre as culturas e espécies. “Animais de estimação, por exemplo, entendem comandos pela entonação da voz, não pelas palavras em si”, observa a neurocientista Liza Aziz-Zadeh, principal autora do estudo. A pesquisadora explica ainda que a prosódia é essencial para a comunicação social.

Entrevista com Elizabeth Roudinesco

janeiro 20, 2011 às 4:20 pm | Publicado em Notícias | 1 Comentário
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Entrevista com a psicananalista Elizabeth Roudinesco publicada no jornal O Estado de S.Paulo em 2009, às vésperas do aniversário de 70 anos da morte de Freud.

Por Andrei Netto

Estamos a 70 anos da morte de Freud. O que ainda é tão representativo em sua obra? Por que ele é uma referência para a própria humanidade?

Ele é o único a ter teorizado, assim como seus herdeiros, o que chamamos de inconsciente. Não falo do subconsciente nem do inconsciente dos psicólogos. Eu me refiro ao inconsciente, que pode ser traduzido pela noção de que, quando alguém fala, não sabe o que diz. Há milhões de exemplos concretos, como o ministro do Interior da França (Brice Hortefeux), que fez declarações racistas na semana passada. Conscientemente, ele não é racista. Inconscientemente, sim. Mas julgamos alguém por seu inconsciente? Sim, se ele é ministro. Mas, via de regra, não podemos enviar alguém aos tribunais por seu inconsciente. Podemos dizer: “Comporte-se!” Muitas pessoas são inconscientemente racistas e antissemitas. Quando não há lei, esses sentimentos se exprimem.

Está no inconsciente? É inexorável?

É inexorável. Freud dizia, com razão, que a única maneira de impedir o crime é a lei, a civilização. No fim do século 19, havia pessoas e governos pública e oficialmente racistas. Não era proibido.

Permita-me retomar a questão: por que Freud ficou marcado como o homem que sintetiza o século 20?

Porque ele aportou algo de novo. Ele estava no prolongamento da filosofia do sujeito. Ele trouxe explicações que a filosofia havia pensado, mas ele lhes deu um assento teórico. E isso não me surpreende. Além disso, Freud permite compreender os dois totalitarismos do século 20: o nazismo, sobre o qual pensou e anteviu melhor do que qualquer outro, e o comunismo, que não teve nada a ver com sua ideia original, com o marxismo. Os dois, aliás, são diferentes: o nazismo se inscreveu desde seu início, sabia-se o que esperar; o comunismo caminhou para o lado errado. Mesmo assim, Freud viu que ele não funcionaria. É verdade que ele era conservador, assim como muitos de seus herdeiros. Mas há muitos freud-marxistas, muitos freudianos de esquerda – que são os meus preferidos, aliás. Nessa época, psicanálise era uma teoria da regeneração do homem, da emancipação. Quatro coisas nasceram ao mesmo tempo: o sionismo, o último movimento de emancipação dos judeus; a psicanálise, que é a emancipação do inconsciente; o socialismo, a emancipação social; e o feminismo, a emancipação da mulher. Era um grande movimento. O século 20, como anteviu Freud, foi o triunfo do contrário – o que pode ser resumido no nazismo. Freud afirmou que o triunfo do contrário já estava lá, entre nós, naquela época. E disse ainda: “Atenção, eu sou a favor da emancipação, mas o homem é habitado pelo contrário disso.” Eu creio que ele foi o único a dizê-lo. É um dos motivos pelos quais é o Homem do Século 20. Por outro lado, ele jamais abandonou a ideia do progresso. Freud foi um homem progressista. Contra Schopenhauer, contra os grandes conservadores de seu tempo, contra os que eram inteiramente pessimistas em relação ao progresso, acusando-o de não servir para nada, Freud disse: “Sim, ele serve.” Foi por isso que eu o chamei, depois de Adorno e outros, como a “luz sombria”, marcada pelo iluminismo, mas sem muitas ilusões. Esse vínculo, o fato de ter pensado a relação entre as duas coisas, o levou a pensar ao mesmo tempo que o pior e o melhor podem acontecer com o homem. Ele nunca foi antiprogressista, ao contrário do que se diz. Por tudo o que mencionei, ele está no centro dos dias de hoje. Você não pode pensar o sionismo, o feminismo, a liberação das mulheres, a transformação da família, sem passar por Freud em determinado momento.

Se Freud é o homem do século 20, qual é o seu lugar no século 21?

É o mesmo. A maioria dos psicanalistas tornou-se conservadora. Não 100%, mas a maioria é conservadora. Por quê? É uma de minhas grandes interrogações. Eu não o sou, e no Brasil eles são menos. Diria até que são menos na América Latina. Mas eles são conservadores por diversas razões. Os lacanianos não deveriam sê-lo, já que Lacan relançou o pensamento da rebelião, da contestação. A Internacional Freudiana tornou-se conservadora porque caiu na repetição do dogma. Eles não se renovaram, tornaram-se um movimento dogmático, centrado sobre a clínica e não sobre a reflexão a respeito da sociedade e do indivíduo. Além disso, cometeram o erro de dialogar demais com as ciências duras, ao crer que o debate sobre o cérebro e os neurônios era essencial. Sempre afirmei que esse debate não era essencial, porque o cérebro e os neurônios não precisam de psicanálise. Não há muito o que fazer com isso, senão dar medicamentos. Mas se a psicanálise se ocupa apenas disso, afastando-se das moeurs (expressão francesa para costumes), ela se torna conservadora, familiarista. Os psicanalistas se desinteressaram dos assuntos sociais. Foi assim que se tornaram conservadores.

Por que a psicanálise brasileira é menos conservadora?

A América Latina, e sobretudo o Brasil, é uma sociedade que espelha a Europa. Os psicanalistas brasileiros são ecléticos. Em alguns momentos são culturalistas, e nos chateiam com a sua brasilidade – não esqueça que houve na França a francilidade e na Alemanha a germanidade. Mas, fora isso, eles, como espelho da Europa, importaram conhecimento. Ao importar, misturaram-no. E o ecletismo dos brasileiros – mais do que dos argentinos, que são menos ecléticos – se formou pegando um pouquinho de Freud, um pouquinho de Lacan e por aí foi. Isso funciona porque questiona o dogmatismo. Eles desconstruíram, para empregar a expressão de Derrida, o dogma europeu.

Voltemos a Freud. Ele não avançou em dois domínios: as crianças e os psicóticos. Por quê?

Sim, ele avançou sobre o tema da infância. Ele nos deu a base da análise da infância. O que se pode dizer é que sua corrente não triunfou no mundo psicanalítico quando se fala em infância, e sim a de Melanie Klein. Nisso, estou completamente de acordo com você. Foi ela quem fundou a psicanálise da infância. No entanto, tudo isso é psicanálise. Ela engloba todas as correntes. Sobre os psicóticos, você tem razão. Freud não acreditava que seria possível analisar os psicóticos. Muito cedo, quando ele compreendeu que essa era a “Terra Prometida” – bem antes da aparição dos medicamentos -, quando ele percebeu que quase todos os seus discípulos eram psiquiatras e trabalhavam com a psicose, ele se desinteressou, embora não tenha desestimulado ninguém. É verdade que é um domínio muito problemático. A análise se faz para os neuróticos. A “cura” analítica funciona muito para os neuróticos, porque, como eles não se curam, se acomodam. E, como transformamos a neurose de fracasso em neurose de sucesso, a cura funciona. A psicanálise torna mais inteligente, mais corajoso, mais apto na sociedade. A psicanálise funciona muito bem. Entretanto, é verdade que não curamos bem a psicose, embora tenhamos nos desenvolvido muito nesse tema também. Os loucos hoje buscam na psicanálise um complemento, já que os psiquiatras só querem saber de medicamentos. Se não há a psicanálise, o paciente vira um legume, um morto em vida.

No início, com Freud, a psicanálise era um processo breve, rápido. Hoje, é o contrário, estende-se por anos, décadas às vezes. O que mudou?

Era rápido porque Freud fazia seis sessões por semana de uma hora. Era intensivo. Há também o fato de que estendemos a análise para domínios não previstos de início, o que a tornou mais difícil. Mudou-se a modalidade da cura, também. Há pessoas que precisam falar sempre, ao longo de sua vida. Mas é verdade que Freud ficaria chocado hoje. Duas vezes por semana, durante 10 anos? Não! Para Freud, era de seis meses a um ano, todos os dias, por uma hora. Quando não era possível, como Marie Bonaparte, tudo bem. Ela ficou 14 anos em análise.

Freud esforçou-se muito para dar à psicanálise o status de ciência, mas ela sempre esteve na alça de mira de cientificistas ortodoxos. Como a psicanálise responde a essas críticas? E por que ela deve ser considerada uma ciência?

Freud oscilou, hesitou muito entre o status de ciência, no sentido de ciência dura – ele queria no fundo que a psicanálise fosse uma “neurologia da alma” – e um outro status, que ele não chamava filosofia, mas ainda assim estava do lado da especulação, da literatura e da filosofia. Ele renunciou completamente e muito cedo ao status de ciência dura, porque se deu conta de que não se tratava de uma ciência no sentido que se conhece. Logo, é preciso inscrever a psicanálise no registro das ciências humanas. É uma ciência, no sentido da racionalidade, mas não no mesmo sentido da biologia e da neurologia. Freud se dividia entre as duas concepções. Não estamos mais no tempo do darwinismo, e a biologia é reconhecida como uma ciência, uma ciência da natureza. A psicanálise não o é de modo algum. Não tem metodologia, resultados ou a positividade das ciências duras. É uma ciência mais próxima das Humanas, como a Antropologia, a Sociologia, a História. Mas mesmo essa concepção, a de parte das ciências humanas, já foi contestada.

O pensamento de Freud é íntegro e poderoso ainda hoje? Sua força criativa ainda é existe?

Sem dúvida. Creio que vamos assistir a um grande retorno a dois pensadores, inclusive: Marx e Freud. Não ao comunismo e à psicanálise, mas a Marx e Freud. Autores como Marx, Freud, Nietzsche e toda a filosofia da rebelião se tornaram malditos nos últimos 20, 30 anos, quando caímos em um estado de neoconservadorismo. A crise econômica, em especial como a que se passou nos Estados Unidos, vai desempenhar um papel considerável. Vamos voltar ao pensamento da rebelião.

Como as ideias de Freud retornarão? Com que aplicação?

Retornarão com as de Marx. Mas não sei como serão aplicadas. O que está voltando com muita força é a ideia de que temos um inconsciente, de que o desejo é capital. A psicanálise, bem pensada, permite compreender a moeurs, o inconsciente, o desejo e a sexualidade de uma forma inteligente. É uma teoria do desejo, afinal.

 

A senhora vê conceitos de Freud confirmados pelos progressos da ciência ou por novas tecnologias?

Não. Os progressos da ciência são os progressos da ciência. Nenhum dos conceitos de Freud é confirmado pela biologia. São dois domínios diferentes. A psicanálise é a medicina da alma. É especial.

Assim como a psiquiatria, em sua origem?

Hoje não há mais psiquiatria. E, logo, nos damos conta de que existem cada vez mais loucos. Porque são usados apenas medicamentos, ela não funciona mais. É útil, mas não resolve. É muito interessante o que se passou na psiquiatria. Biologizaram-na. Até então, era um equivalente da psicanálise. Era uma medicina da alma. Mas a deslocaram para a biologia. Curamos a loucura? Não. Acalmamos os loucos? Sim. Vivemos um recuo de 50 anos com a psiquiatria “biologizada”.

A obra de Freud é marcada por sua didática, sua clareza. E esse não me parece ser o caso dos pensadores da psicanálise contemporânea. De onde vem esse problema de comunicação?

Esse problema é enorme. Os psicanalistas escrevem em clichês. Mesmo que Lacan seja um autor difícil de ler, não se trata de um clichê. Além disso, mesmo que os seguidores de Lacan escrevam em secto, os freudianos também o fazem. Freud era um autor claro, o que influenciou todo o movimento psicanalítico. Hoje, quando leio psicanalistas freudianos norte-americanos ou ingleses fico impressionada com os clichês que estão presentes. É um símbolo muito grave de encerramento sectário. Quando os intelectuais se fecham em torno de si mesmos, eles falam a linguagem de uma tribo. No interior, a tribo se compreende. Eu sempre compreendi a tribo, mas não posso escrever como ela. Não sei fazer. Sou muito clara. Às vezes os antropólogos e sociólogos que queriam se divertir me perguntavam se eu, como psicanalista, não me sentia como o antropólogo que chega à Melanésia e que deve decifrar a linguagem da tribo. É uma alegoria exata. Eu decifro facilmente essa linguagem. Mas para você, que a lê, não deve ser fácil. A psicanálise é mais afetada pelos clichês que a filosofia, por exemplo.

O meu ponto é: se o problema da clareza da comunicação existe, o que torna a psicanálise tão popular em todo o mundo?

Ela é popular em todo o mundo, mas o é de uma forma inconveniente. Por exemplo, ela é popular em muitos países, infelizmente, pela forma da psicologia interpretativa dos chefes de Estado. Eu recuso todos os pedidos de entrevista sobre as fantasias dos chefes de Estado. Mas isso a TV adora, sob a forma da psicologia. Todos os antifreudianos, todos os que não gostam da psicanálise, dirão que ela está em todo lugar. Sim, os psicanalistas estão em todo lugar, mas sob que formas! É ridículo!

Bebês são capazes de entender o ponto de vista de outra pessoa

janeiro 11, 2011 às 12:59 pm | Publicado em Notícias | Deixe um comentário
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Por Sindya N. Bhanoo, do The New York Times

Bebês de até sete meses conseguem perceber e compreender o ponto de vista de outra pessoa, segundo um novo estudo na revista “Science”. Antigamente considerava-se que essa habilidade, conhecida como “teoria da mente”, só se desenvolvia a partir dos 3 ou 4 anos de idade.

“Crianças mais novas têm dificuldade em acompanhar cenários complicados”, afirmou Ansgar Endress, psicólogo cognitivo do MIT e um dos autores do estudo. Assim, em vez disso, Endress e seus colegas usaram um cenário simples para testar as habilidades perceptivas de bebês e adultos.

Eles exibiram vídeos animados onde uma bola rolava por trás de uma parede e, a cada vez, ou ficava ali, ou rolava para fora do campo de visão, ou rolava para fora do campo de visão e retornava. Na animação também havia um personagem de cartum, mas nem sempre ele testemunhava o destino final da bola.

Os adultos foram capazes de determinar mais rapidamente onde estava a bola quando a opinião do personagem correspondia à verdadeira localização – indicando que os adultos levavam em consideração a perspectiva do personagem. Embora esse monitoramento tenha sido mais difícil nas crianças, os pesquisadores descobriram que os bebês fitavam a tela por mais tempo quando a expectativa do personagem sobre o local da bola não correspondia à realidade.

A partir disso, eles deduziram que os bebês compreenderam o ponto de vista do personagem do vídeo. Segundo ele, a pesquisa pode ajudar os psicólogos a entender melhor o funcionamento de uma sociedade. “Se a pessoa quer trabalhar em conjunto, se quer cooperar, se quer se comunicar – isso só é possível quando se considera a perspectiva do outro”, concluiu ele.

Conflito entre corpo e alma

dezembro 2, 2010 às 12:14 pm | Publicado em Notícias | Deixe um comentário
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Percepção e emoções femininas estão menos de acordo com as reações fisiológicas do que as masculinas

Do portal Mente & Cérebro

Óleo sobre tela de Delphin Enjoiras (1857 – 1945)

Os seres humanos respondem a estímulos sexuais em diversos níveis. Fisicamente, a circulação sanguínea nos genitais aumenta; mentalmente, imagens, sons ou cheiros excitantes atraem nossa atenção e estimulam fantasias. Nas mulheres, porém, esses dois níveis não são tão claros quanto nos homens, relatam pesquisadores coordenados pela psicóloga Meredith Chivers, da Universidade Queen, em Kingston, no Canadá. Para chegar a essa conclusão, o grupo analisou 134 estudos realizados nas três últimas décadas que tratavam do efeito de estímulos eróticos. Nesses experimentos, os cientistas registraram a excitação sexual subjetiva e mediram alterações psicológicas. Meredith e seus colegas tiveram acesso a informações de 2.500 mulheres e 1.900 homens. Essa análise mostrou que em participantes do sexo masculino percepção e emoções estavam mais de acordo com as reações fisiológicas do que nas mulheres. Somente estavam em jogo estímulos variados e em grande quantidade – como vídeos, sons e a participação imaginária das próprias fantasias eróticas – era possível coincidir a excitação declarada pelas mulheres com medidas objetivas.

Lacan e o Estádio do Espelho

novembro 11, 2010 às 1:29 pm | Publicado em Notícias | 4 Comentários
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Na noite desta quarta-feira (10/11/2010), em continuidade ao ciclo de aulas sobre Lacan, a psicanalista Alice Beatriz Barreto Izique Bastos explicou o Estádio do Espelho. Segundo ela, essa teoria foi criada entre os anos de 1938 e 1940, quando Lacan concluiu que o olhar do outro é base da constituição do sujeito.  O bebê, portanto, projeta a imagem que o outro deu a ele – normalmente familiares ou pessoas próximas. Para a criação desse princípio, Lacan se subsidiou no médico e psicólogo francês Henri Wallon (1879-1962), para quem o reconhecimento da imagem da criança já representa a existência de um eu.

Se em Wallon o espelho possui um papel concreto, Lacan prefere seguir por um caminho mais subjetivo. Considera que a imagem especular do bebê tem um caráter ilusório e falso, contornado por desejos e ideais alheios. Mesmo assim, por ainda não conseguir se distinguir do outro, a criança assume a imagem como se fosse sua. O sujeito se torna uma unidade, porém virtual e alienada. Sobre isso, Lacan afirmou: “o corpo despedaçado encontra sua unidade na imagem do outro, que é a sua própria imagem antecipada”. Ocorre, então, uma confusão entre o eu e o outro, um conflito que constituíra uma etapa fundamental para a identificação primordial do sujeito.

O médico e psicólogo Henry Wallon

É exatamente por essa dimensão imaginária, por essa influência do olhar do outro, que a conquista da identidade se processa. É esse momento que define a organização estrutural do sujeito e toda sua subjetividade. A singularidade de cada um se constrói a partir desse olhar do outro, que formata o sujeito e o desloca de uma posição imaginária para uma posição simbólica. Em Lacan, essa passagem de representação de si também passa pela linguagem, decisiva para a concretização identificatória.

Complexo de Édipo

De acordo com Alice, a criança se identifica com o objeto do desejo da mãe, para em seguida perceber que essa mãe possui outro objeto de desejo, que seria o pai. Dessa forma, a criança entra no registro de castração e ocorre uma interdição de seu impulso: uma frustração. A renúncia ao objeto perdido resulta no fim da completude com a mãe. A castração simbólica separa a criança de uma relação dual e imaginária com o outro, tendo acesso ao registro simbólico da linguagem. É exatamente a resolução do Édipo que confere uma singularidade ao sujeito. Ao interiorizar a lei, o sujeito se insere na cultura e na linguagem.

Para ler sobre a primeira aula de Alice sobre Lacan CLIQUE AQUI

Para saber um pouco mais sobre Wallon CLIQUE AQUI

 

O papel do vínculo entre mãe e bebê

novembro 8, 2010 às 1:38 pm | Publicado em Notícias | Deixe um comentário
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Da revista Mente & Cérebro

A forte ligação emocional entre mães e filhos aumenta a vontade infantil de explorar o mundo – um efeito também observado no reino animal. Quanto mais seguros nos sentimos em relação à figura materna, mais propensos estamos a viver novas experiências e a correr riscos. Agora os pesquisadores descobriram que esse efeito se reflete também na vida adulta: uma lembrança do toque materno ou do som de sua voz é suficiente para mudar o humor das pessoas, afetando até a tomada de decisões. A conclusão do estudo desenvolvido na Universidade de Colúmbia pelo administrador Jonathan Levav, professor de administração, foi publicada na Psychological Science. Um grupo de estudantes de administração de empresas teve de escolher entre apostas seguras – títulos com 4% de retorno anual – e jogos arriscados, como investimentos na bolsa, por exemplo. Na metade dos casos, os pesquisadores tocavam levemente no ombro dos voluntários antes de dar as instruções. Os estudantes de ambos os sexos tocados por uma pesquisadora tiveram maior propensão a fazer apostas de risco do que aqueles confortados por um homem. “O toque feminino pode ter despertado associações primárias, inspirando a mesma atitude observada em crianças pequenas com mães que as apoiam”, explica o autor principal do estudo.

Para confirmar que um toque de uma mulher remete a sentimentos de segurança, os pesquisadores pediram a outro grupo para tomar decisões financeiras após um exercício no qual metade deles escreveu sobre uma época em que se sentiam seguros e apoiados, enquanto a outra parte abordou justamente o oposto. Evocar uma sensação de insegurança deixou os voluntários do segundo grupo especialmente receptivos ao contato das pesquisadoras e mais dispostos a correr riscos.

No entanto, o toque não é a única fonte de conforto maternal. Em outro estudo, pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison “estressaram” um grupo de meninas entre 7 a 12 anos com exercícios de matemática e oratória. Logo depois, reuniram algumas com suas mães e às outras ofereceram apenas uma ligação telefônica. As garotas que apenas falaram com as mães liberaram tanta ocitocina, o hormônio dos vínculos sociais, quanto as que puderam abraçá-las. Os dois grupos tiveram níveis igualmente baixos de cortisol, o hormônio do estresse, o que pode explicar por que tantas pessoas ligam para a mãe quando estão tristes.

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