CURSO DE FORMAÇÃO: INCRIÇÕES ABERTAS

junho 21, 2011 às 5:29 pm | Publicado em Curso | Deixe um comentário
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Sándor Ferenczi: um visionário nos tempos de Freud

novembro 25, 2010 às 2:20 pm | Publicado em Curso | Deixe um comentário
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por André Toso

Que Freud foi um visionário, poucos duvidam. Em uma época de conservadorismo extremo, em que o homem se achava dono de sua própria razão, o psquiatra andava na contramão da comunidade médica e criou uma teoria que mudaria a concepção do ser humano sobre si mesmo. Apesar de toda sua genialidade, é inegável que Freud se prendia, até inconscientemente, nos costumes e preconceitos de sua época. Viena era uma cidade absolutamente conservadora, onde a aparência e a postura de ser perfeito eram requisitos básicos para ser aceito.

Apesar de Freud analisar a fundo as podridões que revestiam essa sociedade aparentemente irretocável, ele ainda apresentava pontos conservadores em sua técnica, em sua teoria e até mesmo em suas opiniões sobre as mulheres, por exmeplo. Mesmo muito a frente do seu tempo, tornando-se amigo de mulheres libertárias e defendendo timidamente a homossexualidade como algo natural, Freud ainda considerava, no fundo, a mulher como um apêndice do homem. Para ele, a inveja do pênis era a principal causa da histeria em suas contemporâneas. Seu pensamento não estava totalmente equivocado, mas ele não enxergou o que um de seus parceiros enxergou. Sándor Ferenczi (1873-1933), psiquiatra e psicanalista húngaro, foi tão visionário que suas ideias eram consideradas malucas e ele chegou a ser taxado de psicótico no final da vida.

Um exemplo da postura moderna para a época era sua opinião sobre a histeria. Para Ferenczi, as mulheres vienenses apresentavam histeria pelo fato de elas serem muito reprimidas e não terem condições de dar vazão aos seus desejos sexuais e suas opiniões. De fato, ao olhar de hoje, fica claro que, mais do que inveja do falo, as moças daquele período sofriam com a subserviência e a cabeça baixa em relação aos maridos e era isso, principalmente, que as levava aos sintomas histéricos.

Mas o que mais chama atenção na trajetória de Ferenczi era sua cabeça aberta para o atendimento clínico. Enquanto Freud e seus seguidores pregavam a interpretação e a neutralidade, o húngaro já falava, sem teorizar sobre o tema, sobre vínculos com o paciente, sobre trocas e sobre humanizar a clínica. Ele percebia, mais cedo que todos, que a constratransferência era fundamental para o tratamento e que era impossível um não envolvimento por parte do psicanalista.  Outro aspecto é a regressão clínica, ou seja: o objetivo de fazer o paciente regredir para entender suas emoções mais primitivas.

Poucos sabem, mas a escola kleiniana deve muito a Ferenzi. O médico húngaro plantou as primeiras sementes das relações objetais e foi ele quem introduziu o termo introjeção. Ao atender Melanie Klein, deu a ela as ferramentas necessárias para iniciar uma teoria que modernizaria a psicanálise e possibilitaria o atendimento de pacientes regredidos e não apenas dos neuróticos clássicos de Freud.  Sua defesa ferrenha do homessualismo e seu interesse pela figura feminina complementam uma visão de mundo muito a frente de seu tempo. Chega a ser assustadora sua genialidade, por adiantar, durante uma época conservadora e absolutamente preconceituosa, conceitos que seriam discutidos abertamente apenas depois da revolução comportamental e sexual de 1960.

Como resultado de sua genialidade, porém, ganhou muitos desafetos e críticas. Mesmo sendo o criador da International Psychoanalytical Association (IPA), Ferenczi, no final de sua vida, sofreu com o preconceito por suas ideias fora do lugar. Morreu sendo acusado por Ernest Jones (1879-1958) de ser um psicótico, mas tempos depois ficaria provado que seus surtos de loucura foram ocasionados por um problema físico, pois sofria de anemia perniciosa. Como todo gênio, Ferenczi é revisitado nos dias atuais e suas ideias inovadoras são fundamentais para a psicanálise contemporânea. Ele é a prova viva de que a ignorância persiste, mas um dia começa a ruir naturalmente.

Os três registros e a subjetividade do sujeito

novembro 18, 2010 às 2:41 pm | Publicado em Curso | Deixe um comentário
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Sou eu ou o Outro?

A terceira e última aula sobre Lacan, ministrada pela psicóloga e psicanalista Alice Beatriz Barreto Izique Bastos, se iniciou com uma explicação sobre os três registros postulados pelo autor: imaginário, simbólico e real. No imaginário, segundo a professora, a criança ainda é um desejo da mãe e se encontra em simbiose com ela. Trata-se de um desejo alienado ao desejo do outro. Portanto, ainda não existe um sujeito. Para a constituição dele é preciso que a criança seja objeto do olhar deste outro. Só depois de se diferenciar e se distanciar é que a criança entra no registro simbólico.

Neste segundo registro, ocorre uma relação entre o inconsciente e a linguagem repleta de duplos sentidos e de equívocos. É isso que formará a singularidade e a subjetividade de cada um de nós. Os significantes que formam o sujeito se articulam entre si em uma cadeia. Para finalizar, o último registro é o real que, diferente do nome, não tem nada de palpável. Para Lacan, o real, no sentido estrito da palavra, é algo sem representação, sem formas, um verdadeiro buraco, uma falta que não cessa. É ausência de sentido, o impensável, que não pode ser simbolizado. Para Lacan, somos marcados pelo discurso do outro e a linguagem é uma cadeia simbólica.

Subjetividade do sujeito

Para o psicanalista francês, o sujeito da psicanálise é aquele descentrado, em que a consciência não forma seu centro. Portanto, Lacan acredita que a consciência é uma ilusão e toda certeza é, na verdade, enganosa. Isso vai de encontro com a teoria freudiana. Freud alterou a famosa frase de Descartes. O “penso, logo existo” foi trocado pelo “penso onde não existo”. Essa idéia de Lacan também casa com o pensamento do filosofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que em seu livro Além do Bem e do Mal (1886) afirma que a consciência engana o filósofo e que uma filosofia de verdade deve sempre duvidar do próprio pensamento.

O ego como mera ilusão de Lacan vai contra a psicologia do ego norte-americana e o racionalismo. O homem, antes centro de seu próprio universo, não controla sequer seus próprios pensamentos. A pergunta que vale para Lacan é sempre: “Sou eu ou o outro?”. A imagem do outro introjetada é a que constitui o sujeito. Portanto, é apenas no inconsciente que temos a referência de nós mesmos, onde se encontra a verdadeira realidade psíquica do homem.  O pensamento, assim, passa a ser ilusório e o sujeito vai muito além do ego, que em grande parte também é inconsciente.

Por isso, para Lacan, o saber da psicanálise não é absoluto, e sim singular e incompleto. O inconsciente é um saber onde não existe um eu, e é estruturado como uma linguagem: o discurso do outro. Essa estrutura de linguagem incide sobre o sujeito à sua completa revelia. Para Lacan, a palavra é a morte da coisa. O que somos, como diria Chico Buarque na letra de “O Que Será”, é aquilo que não tem nome nem nunca terá. O psicanalista, assim, deve deixar de lado seu suposto saber e ter a humildade de perceber que ele e o paciente , em última instância, sofrem do mesmo sintoma: uma busca por uma completude imaginária que nunca poderão alcançar.

Para ler a primeira aula de Alice CLIQUE AQUI

Para ler a segunda aula de Alice CLIQUE AQUI

Um pouco de Lacan

novembro 4, 2010 às 3:39 pm | Publicado em Curso | 4 Comentários
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A psicóloga e psicanalista Alice Beatriz Barreto Izique Bastos iniciou esta semana na Sociedade Paulista de Psicanálise um ciclo de três aulas sobre Lacan. Com mestrado pela PUC e doutorado pela USP, Alice se especializou na teoria lacaniana e, inclusive, lançou um livro chamado “A Construção da Pessoa em Wallon e a Constituição do Sujeito em Lacan”, pela editora Vozes. Nesta primeira aula, a psicanalista falou um pouco da trajetória de Lacan, do manejo clínico do francês e derrubou alguns mitos construídos em torno de um pensador que se tornou um verdadeiro mito.

A influência de Lacan na cultura francesa, segundo Alice, ocorreu principalmente durante a década de 1970, uma fase em que o mundo borbulhava pela liberdade sexual, a explosão do consumo de drogas e as revoluções da contracultura. Diante disso, Lacan se relacionou com filósofos, artistas surrealistas, músicos e intelectuais. Essa troca influenciou sobremaneira sua visão psicanalítica. Por ser psiquiatra, psicanalista e filósofo, Lacan cumpriu um papel de amplo pensador.

Seu grande objetivo era um retorno e uma releitura da obra de Freud para trazer de novo seu pensamento para o centro das discussões da intelectualidade francesa. Após duas guerras mundiais, o pensamento freudiano perdera força e o psicanalista francês percebeu que era urgente revisitar a obra do mestre. Seu retorno a Freud, porém, ganhou o reforço de sua visão da linguística, da obra de Levi-Strauss e da filosofia de Heidegger.

Foi então que algumas de suas teorias causaram polêmica na International Psycoanalytical Association (IPA). Entre elas, o estádio do espelho, em que Lacan diz que a matriz constitutiva do ego é ilusória. Ao afirmar que o ego é uma instância ilusória e não o centro da personalidade psíquica do homem, Lacan se confrontou com a psicologia do ego norte-americana, que naquele período ganhava força. Além disso, em seu famoso Discurso de Roma, o psicanalista afirmou que o inconsciente está estruturado em uma linguagem própria de significantes. Lacan, em 1964, saiu da vice-presidência da IPA e fundou a Sociedade Francesa de Psicanálise (SFP).

Essa peregrinação por diferentes instituições marcaria a vida de Lacan. Sua proposta era de total rompimento com o establishment e com as regras rígidas da IPA. Para Lacan, o analista não se autoriza senão por ele mesmo. Segundo o pensador francês, o psicanalista deve ter o compromisso de saber quando está preparado. Com seu conceito de Sujeito Suposto Saber, o papel do analista e do analisando se equivalem, sem que o psicanalista precise ser um mestre que imponha os caminhos. O analisando é o único que pode se conhecer e mudar sua realidade.

Sua segunda excomunhão, como ele mesmo chamava, ocorreu em 1980, quando saiu da SFP e fundou a Escola da Causa Freudiana. Mais uma vez, Lacan se desligava das amarras institucionais e impunha como primordial seu próprio pensamento, independente de seguidores. Os lacanianos, que começavam a aparecer, não o fascinavam: Lacan continuava se dizendo freudiano, com a intenção de não criar um movimento de fiéis seguidores. Ele buscava a verdade em sua teoria, sem institucionalizá-la ou engessá-la. Para ele, a análise confronta o sujeito com a sua verdade, pela qual ele é constituído.

Curso Psicoterapia Breve de Base Psicanalítica

junho 14, 2010 às 3:04 am | Publicado em Curso, Novidades | 5 Comentários
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Hoje o mundo está cada vez mais dinâmico e nossos pacientes procuram tratamentos mais rápidos e práticos. Atender a esta demanda é um grande diferencial. Neste sentido, a Sociedade Paulista de Psicanálise abriu vagas para o curso de Psicoterapia Breve de Base Psicanalítica, que constitui uma ferramenta das mais eficientes para tratamentos breves, inserindo a psicanálise neste contexto moderno. O curso é também proveitoso para quem não atende em clínica, mas já possui conhecimento psicanalítico e o usa em sua área de atuação.

Todas as terças-feiras das 20 às 21h

Durante 6 meses letivos (início em agosto)

Objetivo: Abordagem da técnica focal para tratamentos breves.

Público: Psicanalistas formados ou em fase de formação e psicoterapeutas. Interessados que tenham o curso de formação em psicanálise.

Coordenação: Taís Ranali de Carvalho Pinto.

Professores: Taís Ranali de Carvalho Pinto e Rosana Ferreira Machado.

Custo: 6 x de R$ 380,00 ou 350,00 se pagos até o dia 7 de cada mês.

Conteúdo programático: Evolução do tratamento, fins terapêuticos, o trabalho com os conflitos focais, regressão, dependência, transferência, neurose de transferência, o problema da resistência, insight e elaboração, focalização, entrevistas preliminares, avaliação diagnóstica, planejamento e resultados e discussão de casos clínicos.

Informações e inscrições:

Na secretaria de segunda a quinta-feira,
das 14h30 às 20 horas e sábados, das 10h às 13:30h.

Rua Humberto I, 295 – Vila Mariana (próximo ao metrô Ana Rosa)
Tel.: 11 5539-6799 – www.sppsic.org.br
Pelo e-mail: sppsic4@terra.com.br

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