Artigos

Aqui você vai encontrar artigos dos profissionais da Sociedade Paulista de Psicanálise.

Josefina Rovira Prunor

Ansiedade no palco

Maria Dilma Campo Burkle

Relacionamentos e conflitos

8 Comentários »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

  1. Caminhos da Psicopatologia: Uma vertente psicanalítica — ótica lacaniana

    A finalidade desta abordagem é enfocar a psicopatologia sem a subjetividade dos juízos de valor… A psicopatologia psicanalítica é resultante dos produtos do fracasso da repressão psíquica. O status da teoria psicanalítica é o reconhecimento, a priori, de uma instância psíquica INCONSCIENTE… “Trago, por ilusão, meu Ser comigo. Nada sou nada posso nada sigo… “Não compreendo compreender, nem sei se hei de ser, sendo nada, o que serei (Fernando Pessoa)”. Na escrita freudiana todo SINTOMA (psicopatológico) se constitui num enigma (se assim não fosse… ele não seria psicopatológico!). A origem dos distúrbios psíquicos reside na dialética do Complexo de Édipo X Medo da Castração. Portanto, o discurso psicanalítico funda uma economia libidinal… O fato primário é o de que as vicissitudes infantis, não-equacionadas, precipitam e inauguram a psicopatologia — e esta ocorre, etiologicamente, na esfera sexual. O complexo de Édipo aparece como um fenômeno central no desenvolvimento sexual infantil. O ponto culminante é alcançado aos cinco anos de idade… Em linhas gerais, a criança possui desejos incestuosos para com o seu genitor do sexo oposto, e sente ciúmes do genitor do seu próprio sexo! A criança também enfrenta o dilema da diferença sexual (anatômica) atribuindo o caráter ativo aos possuidores de pênis, vez que é outorgado o papel passivo aos que não o tenham… Neste sentido, o feminino vem a ser sinônimo de FALTA — percebida como Castração! Neste drama existencial a superação bem-sucedida desta charada lógico-simbólica (o mito edipiano), encaminha a criança para um desenvolvimento emocional saudável — registre-se que na teoria freudiana, o conceito de normalidade mental está imbricado no binômio: sexual X emocional! As vicissitudes e os fracassos nesta esfera (sexual) geram RECALQUES… Que produzem SINTOMAS!
    O sintoma é sinal e substituto de uma satisfação pulsional que não se realizou… O sintoma é o resultado de um RECALQUE… A PULSÃO é um conceito-limite entre o psíquico e o somático… É um representante dos estímulos procedentes do interior do corpo… Uma pulsão não pode jamais se tornar “objeto da consciência”. O que pode é a representação… Que a representa (a pulsão). O conflito mental na perspectiva psicanalítica é a expressão figurada daquilo que foi recalcado — censurado — bloqueado em sua expressão… Original! Esta não-equação contém um significante (criptografado) a ser “re-significado” no REAL, transpondo a censura (inconsciente) que gerou o SINTOMA — e este, o SINTOMA, produzido que fora no núcleo mental patógeno é um dos precursores da psicopatologia (psicanalítica). O sintoma é uma saída de saúde mental… É uma rota precária, mas, a única que pode garantir certa ordem psíquica do Sujeito… Então, o que é o Sujeito?
    É, exatamente, o que o SINTOMA oculta… O sintoma se constitui porque não havia maneira do sujeito sobreviver diante de uma representação psíquica… Insuportável para ele! Persistindo. O que seria o sintoma, epistemologicamente, falando?
    A FALTA de um simbólico para amarrar o Real e o Imaginário… Ampliando. A ausência de um simbólico adequado para tentar apaziguar o impossível (o recalcado) do Real. Enquanto o simbólico não emerge, o sintoma ganha tempo para que o sujeito (embora sofrendo) consiga, assim mesmo, tocar a sua vida… Sobreviver! Entretanto, este compromisso custa caro… Seu preço? ANGÚSTIA!
    E como resolver esta aporia?
    Na cena psicanalítica, o psicanalista é eleito, arbitrariamente, pelo paciente como o sujeito-suposto-saber… O paciente deduz que o psicanalista detém um Saber sobre ele (o paciente) que porá fim aos seus conflitos e angústias… Todo o processo psicanalítico visa solapar, desmitificar este suposto Saber do psicanalista sobre o paciente. O psicanalista desconhece os motivos (inconscientes) que deram origem à problemática do paciente. Se o psicanalista tentar resolver a psicopatologia do paciente, a partir de si mesmo, estará projetando no paciente os seus próprios conteúdos mentais, criando um universo psicológico fictício, alheio à realidade psíquica do paciente. O conflito mental tem que ser solucionado no próprio meio ambiente em que foi criado: a psique do paciente (reduto de sua psicopatologia). Fica evidente que a posição do psicanalista é destituída de qualquer Poder… O sobre-determinismo do inconsciente do paciente sobre o psicanalista, deixa-o um sujeito sem defesa, vulnerável…
    O psicanalista dispõe para o paciente de um setting (espaço vivencial-experimental… terapêutico) onde a psicopatologia do paciente poderá se manifestar sem censura, classificação ou juízo. O paciente quer ser acolhido na diferença que reivindica…
    A psicanálise emprega a sua base teórica e o seu instrumental técnico para empreender uma jornada em busca da verdade do inconsciente (do paciente). Esta Verdade está fora do alcance do psicanalista, e só o inconsciente (do paciente) pode revelar… Para o próprio paciente!
    O psicanalista não sabe o que resulta a Cura… Só sabe que ela pode acontecer… A remissão dos sintomas (sem recidivas) pode ser interpretada (pelo paciente) como cura. Ainda assim, nunca haverá garantias definitivas… O psicanalista sabe apenas o que o paciente lhe disse… Para além, do que lhe foi dito… Ele não sabe nada!
    O psicanalista pode e tem o direito humano de entender e aceitar como um ganho terapêutico muito significativo, a dotação para o paciente de uma relativa autonomia emocional para que ele (o paciente) possa redimensionar o seu universo psíquico em bases menos sofridas, mais positivas, presentificando sua identidade na sua realidade atual!
    A psicanálise não é utópica… Ela é tópica!
    Acredita-se, consensualmente, que a pessoa conhecendo-se melhor, possa fazer escolhas mais autênticas, atenuando e minimizando as influências negativas, primais, infantis, originadas de seu turbulento passado emocional-existencial. Em benefício da “lógica dos fatos”, torna-se óbvio constatar que a psicanálise resiste há mais de um século, em que pese todas as controvérsias…

    Reinaldo Müller

  2. Caminhos da Psicopatologia

    (uma gênese psicanalítica integrada a um prognóstico psiquiátrico…)

    As vivências traumáticas ocorridas na primeira infância são em essência, inassimiláveis… O aparelho bio-psíquico de uma criança é imaturo, quer seja no âmbito neurológico, emocional ou cognitivo. À criança falta autonomia para reagir às adversidades existenciais presentes em sua história pessoal. Agrava-se o quadro se a criança teve a infelicidade de ser gerada por pais perturbados, emocionalmente, além de uma já suspeita herança genética incorporada na sua morfologia neural. Os pais (já estereotipados) inseridos num casamento, incompatível entre eles, projetam no filho suas fantasias e “imagens idealizadas” cobrando, arbitrariamente, desta criança um conjunto de características pessoais que confirmem o MODELO (que cada genitor, individualmente, escolheu) esperado em suas idiossincrasias. A criança, única em sua autenticidade, fica querendo corresponder à expectativa deles, os pais, sabotando a sua originalidade de ser e existir, a partir de seus próprios conteúdos…
    A manipulação dos pais não cessa por vezes se acentua, morbidamente. Diante de tanta cobrança e ameaças, a criança fica desorientada e tenta sufocar as suas inclinações pessoais. Inicialmente, a criança quer corresponder ao desejo-da-mãe (seu primeiro amor…). Com a entrada do Pai (formando o triângulo amoroso) a criança percebe, intuitivamente, que a sua mãe também, está ligada (amorosamente) ao Pai. Intui que agradando o Pai, agradará à sua mãe. Tudo bem. Faz parte. Com o tempo, a criança percebe que há uma “relação” entre sua mãe e seu pai, excludente dela própria… Neste momento, volta-se para si mesma, elegendo, também, a si própria como o OBJETO de seu Amor. Principia aí, o nascimento de sua AUTO-ESTIMA onde são edificados os primeiros tijolos de sua IDENTIDADE: Ela pode ESTAR / SER com seus pais, e pode ESTAR /SER, “em si mesma!”. Admitamos que os pais desta criança extrapolem suas exigências chegando a surrá-la todas às vezes, em que ela exerce comportamentos contrários às suas expectativas. Este é um terreno (fértil) onde se criam (e desenvolvem) patologias psíquicas. A criança está impedida de prosseguir em sua autenticidade, dado à ameaça de punição e o implacável terrorismo psicológico (agressões à sua AUTO-ESTIMA… ainda em estágio primário) ao qual é submetida.
    O pequeno Ser Humano não tem (e não pode, e não sabe) como se defender. A sua atuação de revolta tem que se manifestar em outros objetos que não os seus pais. Ex: fazer as necessidades fisiológicas nas calças, emitir gritos histéricos, chorar convulsivamente, ter comportamentos instáveis na escola, na relação com outras pessoas, etc. Obviamente, estas reações também, são inegavelmente, subprodutos emocionais resultantes da sua febril Ansiedade, decorrente dos maus-tratos e de seu território existencial castrador e opressor. A criança (mercê de seus pais…) é conduzida, inevitavelmente, a uma dicotomia: Como ser ela mesma, se seus pais querem que ela seja outra pessoa? É claro, que a criança não tem, ainda, um pensamento assim, dialético. Ela apenas sente, intui. As ameaças de castigo (e a consumação do mesmo: “as vias de fato”) são muito reais para ela; experienciou os seus efeitos… “Lutar ou fugir”, eis o paradoxo infantil, imediatamente, resolvido já que lutar em sua forma objetiva, não é possível para ela. Entrementes, a ocorrência de uma fuga, literalmente, “física” está descartada, a priori, visto que a criança não possui estratégias para consumá-la (limitação cognitiva, vulnerabilidade, etc). A sua mobilidade só pode atuar no plano psíquico… É no imaginário de sua MENTE que ela vai buscar um bálsamo, uma fuga “conceitual” de seus reveses existenciais. Mas, como INVENTAR mundos abstratos que possam preservar algum grau de positividade, se falta conteúdos psíquicos, formativamente, saudáveis, constitutivos, pró à sua originalidade essencial! Neste “campo minado”, há pouca fertilidade para se compor elementos psíquicos integradores… Como transcender à “experiência imediata” e promover o desenvolvimento progressivo de sua AUTO-ESTIMA?
    Não se efetiva a AUTO-ESTIMA, endogenamente. A arquitetura afetiva se constrói nos vínculos interpessoais. O OUTRO é que “homologa” a minha AUTO-ESTIMA, legitimando-a com o seu AMOR, sua admiração, a sua aceitação pela minha pessoa-criança. Dado à desconfiança que a criança desenvolve de si mesma (acho que eu não sou legal, já que meus pais, assim acham…) fica limitadíssimo o seu poder de manobra. O seu potencial refúgio (epistemologicamente, falando) está circunscrito, exatamente, na área em CONFLITO de sua geografia psíquica: a área dos AFETOS… Instala-se aí, um núcleo patógeno tipificando, empiricamente, um MASOQUISMO primário, essencial…
    A criança elabora (agora, dialeticamente) uma LÓGICA (psicopatológica) que dá um SENTIDO à sua miséria psíquica: se meus pais me rejeitam… Eu não presto… Eu não sou bom… Com esta resolução interna, ficam justificados os castigos, as surras, a opressão… A castração… (…). As posturas, os comportamentos, doravante, tendem à repetição, promovendo a mecanização e robotização dos afetos… A AUTO-ESTIMA ficou danificada. E as novas vivências e experiências existenciais, “pós-primeira infância?”. Então, elas não exercem uma inovação emocional, um upgrade dos conteúdos psíquicos? Não há invenção dos futuros?
    Suponha que você queira fazer uma piscina e coloque no volume líquido, 20% de água salgada e 80% de água doce. É possível alguém mergulhar nesta piscina, sem ser contaminado com um pouco de sal?
    Retornando ao terreno dos AFETOS torna-se impossível mensurar, quantitativamente, e qualitativamente, a potência dos conteúdos psicopatológicos, vivenciados na primeira infância. Não se pode medir, matematicamente, a influência deles no desenvolvimento da personalidade. O que se pode e se verifica, é a constatação de seus efeitos e desdobramentos… Suponhamos que numa situação experimental-psicoterápica, o adulto (DOENTE) regredisse aos primórdios de sua infância (emocionalmente, falando) e ao revivenciar seus “primeiros afetos”, mostrarmos a ele que as suas primeiras elaborações psíquicas não precisavam ser interiorizadas, necessariamente, daquela maneira… Radical, que havia outras opções… E mesmo que se explicasse a ele que não teve culpa que agiu com os elementos que dispunha na época, que ele não teve (ou não previu) alternativas — e estendendo, dissermos, que ele foi vítima de seus pais assim como eles foram vítimas dos pais deles e assim, sucessivamente — toda esta digressão, muda “o fato em si?”.
    O que aconteceu foi, inexoravelmente, impresso na MENTE!
    Causa certa estranheza, imaginar que se possam remover conteúdos psíquicos elaborados na primeira infância, isto é, num período em que a RAZÃO, ainda, estava embrionária e tudo obedecia a uma LÓGICA DOS SENTIDOS! Retirar, demover recalques psíquicos interiorizados, quase que num ato cirúrgico! E pra quê, se os conteúdos psíquicos primários não existem mais? O que permaneceu foi o estabelecimento de um padrão estereotipado de reações e comportamentos, face às experiências vivenciais. A estereotipia da conduta e da personalidade deve-se aos SINTOMAS, adquiridos como metáfora biológica dos elementos psicopatológicos iniciais. Estes “mesmos elementos”, já não existem mais. Eles produziram na cartografia neural (altamente, susceptível à influência de impressões ambientais, vividas ou imaginadas, neste período da vida; a infância) um código (repetitivo), um ALGORITMO neural que desencadeia os SINTOMAS, e eles mesmos; os SINTOMAS, dado à sua natureza de excitabilidade neuronal, estimulam novas elaborações psíquicas, visto que a MENTE quer racionalizar estes “estados sensitivos alterados”, para aplacar a Angústia gerada com o desconforto e inquietude, advindo dos SINTOMAS. A psicopatologia inicial, primária, tem a sua gênese nas primeiras adversidades existenciais não-resolvidas da infância. De lá pra cá, houve um desdobramento geométrico das patologias como uma “tumoração”, em que o DISTÚRBIO-MOR, já não atua mais. Esta MATRIZ patógena, PRIMAL, “arrefeceu”, não antes de produzir SINTOMAS. Estes, por sua vez, replicaram novas psicopatologias e estas outras, são as excrescências das patologias que as antecederam…
    O corpo organiza respostas, a partir de si mesmo, expressando comportamentos e prosseguindo produzindo experiência sensorial… A doença emocional traduz e representa uma economia dos afetos conflitantes originais.

    Se exercermos uma observação clínica apurada poderá muito, facilmente, perceber que o sintoma ANSIEDADE precipita psicopatologias em grande número, e não há um ELEMENTO COGNITIVO comum a todas elas. O que há, sim, é uma referência singular, circunscrita ao terreno dos AFETOS e muito, primordialmente, à AUTO-ESTIMA. Não esqueçamos que as vicissitudes existenciais, “iniciais e primárias”, é que inauguraram a PSICOPATOLOGIA. E esta, produziu-se… Na ausência e/ou na baixa AUTO-ESTIMA (como sempre). Por certo, há alguma pessoa, portadora de um (qualquer) distúrbio emocional que tenha “ALTA-ESTIMA?” Finalizando. Se os sintomas forem suprimidos (com uma ação farmacológica) e se mantiver a ausência de sua atuação, por um período determinado (que se pressupõe, LONGO) vale dizer, que serão interrompidas, “as elaborações psíquicas”, advindas do desconforto e inquietude, causados por eles. A MENTE, por sua vez, livre destes estímulos poderá então, operar, cognitivamente, diante dos fatos “empíricos” que se apresentarem em sua atual existência e perspectiva. Rompe-se assim, o antigo GATILHO bio-psíquico-neural, alimentado que fora, por “outros elementos psíquicos” (primais) que fundaram e mantêm a sua psicopatologia. Não havendo sintomas, os elementos psíquicos que produziram a etiologia batismal, a LÓGICA biológica (tributária da ecologia neurológica) perde substância, pontualidade, foco, finalidade, sustentação. Não haverá alimento, energia para a sua manutenção… A pseudo-homologação dada pelos SENTIDOS se desfaz. A IDÉIA essencial, o ARQUÉTIPO que mantinha acesa a fornalha (a idiossincrasia SINTOMÁTICA; seus efeitos excitantes ou depressivos) apaga-se… Não tem mais o RELÉ… Doravante, o SENTIR será PENSADO por uma MENTE produtora de conteúdos psíquicos INÉDITOS, reflexivos de uma realidade PRESENTE, factual. Este é o mote da Psiquiatria!
    A antropologia psicopatológica se mantém atuante, enquanto perdurarem os SINTOMAS que a autorizam e sustentam-na, e estes por sua natureza, “adubam” o solo psíquico, gerando “outras” psicopatologias com os seus desdobramentos congruentes. Resta a pergunta:
    Não haverá mais SINTOMAS? Claro que sim, enquanto vivermos numa sociedade DOENTE, não estaremos livres deles. A MENTE tem que reagir a frustrações, desenganos… À insalubridade do social… Às relações conflituosas. Contudo, os SINTOMAS são vitais, fisiológicos, garantem a homoestasia. A questão que se apresenta, é como manter os sintomas numa intensidade e freqüência tolerável. O que já vimos, é a necessidade fundamental da ruptura e/ou redução da intensidade dos sintomas atrelados a psicopatologias (“antigas”) no curso de nosso desenvolvimento emocional. Rompendo a interface somática, promovemos o esvaziamento energético e a inanição neuronal dos remotos conteúdos psíquicos que se originaram da nossa psicopatologia infantil. Precisamos estabelecer causa X efeito de SINTOMAS na cena existencial PRESENTE. No aqui e agora. Presentificando os SINTOMAS, saberemos lidar com os nossos atuais conteúdos mentais conflitantes com alguma inteligibilidade sem estarmos, necessariamente, DOENTES. Sem sofrimento demasiado, e sem o ÔNUS do Passado… Somente ação X reação (sintomática) compatível e proporcional em causa X efeito.

    Reinaldo Müller

  3. Caminhos da Psicopatologia

    (uma abordagem fenomenológico-existencial…)

    A relação entre a nossa subjetividade individual e o contexto sociológico em que vivemos e estamos inseridos pode e desencadeia psicopatologias…
    A saber, a vida social nos coloca diante do Outro. Existem muitos Outros… E neste encontro com o Outro, somos remetidos à experiência essencial de tudo o que a gente tem e é — O Outro me afeta, me atinge, e me solicita criar novas “organizações psíquicas” em face destes encontros e tentar estabiliza-las, temporariamente, porque as relações estão sempre mudando… Percebemos, então, que o Outro não é só alguém… Ou algo…
    São acontecimentos de toda a espécie: movimentos econômicos, políticos, sociais, culturais, inovações tecnológicas, modos, modas, comportamentos, valores — Tudo se fazendo e desfazendo, se misturando… O Outro, aquilo que nos é diferente, sempre, se apresenta como um problema-desafio…
    O nosso repertório mental com o qual estamos dotados para reagir, “às estas novas demandas”, requer uma nova configuração de forma para que possamos nos articular às novas exigências de Ser e Fazer — relacionar-se, adaptar-se, sobreviver… O efeito destes encontros com o Outro vai materializando mundos psíquicos, inéditos, à nossa gênese constitucional. Isto significa que a nossa identidade sofre abalos ao nos serem impostos novas formas somático-existenciais para se integrar aos novos encontros com o Outro… Esta nova ecologia das subjetividades desorienta as matrizes de nossa constitucionalidade — capturam-na, canalizam-na para dentro de “outras redes de sentido”, e a moldam… Em outros caracteres! O espaço de nossa percepção tenta converter-se aos novos valores para produzir em nós, “a ilusão de inclusão neste novo Mundo!”. A reconfiguração de nosso território existencial, continuamente, se refaz na velocidade dos novos acontecimentos… Ou seja, há sempre uma nova sobrecodificação sobre o nosso processo vital (que comporta a nossa vida psíquica…). Diante de tantas experiências, inassimiláveis, produzidas pelo vertiginoso processo de modelagem do mundo, o corpo, esta “anatomia emocional” — construída pelos processos seletivos da evolução biológica, rompe a sua homoestasia, produzindo SINTOMAS que são a metáfora bio-simbólica do organismo, “em crise”. Ocorre, por conseguinte, uma redução na capacidade bio-psíquico-somática de gerar novas imagens de si, organizadoras de novas ações, e de novas ligações… Não conseguimos mais, sustentar os nossos territórios existenciais, e sucumbimos. Há um bloqueio na continuidade em seguir confirmando a nossa essência original, formativa… Adoecemos. A preocupação do corpo, não é apenas sobreviver, mas, sobreviver através de uma relação “consigo mesmo”, organizando a experiência em formas somáticas e comportamentos, assimilando os eventos que nos chegam de instâncias “pré-pessoais” — nossa herança genética e constitucional — e de instâncias pós-pessoais — as figuras da subjetividade, disponíveis no Social.
    O corpo organiza um substrato pessoal psiconeuromotor de múltiplas linguagens a que chamamos sujeito ou pessoalidade…
    O corpo, compulsoriamente, organiza-se a si mesmo, e este processo vivo tem um investimento total em continuar a perseverar no seu Ser… O corpo fala por sensações, sentimentos e pensamentos, portanto; ele se comunica consigo mesmo para que possa influir em seu comportamento… Este diálogo (interno) é sempre sobre o que fazer a respeito de minha situação imediata (a partir de seus próprios conteúdos… interiorizados). Esta mediação se faz, através de um sofisticado sistema de feedback neural que chamamos… Cérebro!
    O modo de produção da nossa imagem corporal, também, está intrínseco à nossa cartografia neural (experiência excitatória, inibitória e motora vivida) o que permite formar diversidade…
    Diante de tantas formulações, cobranças, ameaças e o devir… Irreversível… Os nossos “mecanismos de defesa” ficam exacerbados e entram em colapso! Desse estado de coisas, advém o stress…
    A cronificação destes estados sensório-afetivos gera psicossomatizações e, obviamente, distúrbios psíquicos como subprodutos. Ocorrem, também, doenças auto-imunes e patologias orgânicas decorrentes do superávit metabólico…
    A cristalização dessas (psico) patologias altera o equilíbrio neuroquímico, maximizando os conflitos psíquicos e amplificando os SINTOMAS.

    Reinaldo Müller

    reinaldomuller@hotmail.com

  4. The great thing in regards to the luxury diaper bags which is available from Lollipop Moon is always that they could be used as pretty purses when you are doing not have baby in tow or
    whenever you can go somewhere without all baby’s
    necessities. If you decide on pasta for the baby’s finger food snack make it some with the larger types.

  5. Eu tenho muito siumes do meu namorado, queria saber se isso é normal? Tenho siumes ate o que não existe sabe , por5me ele nao falava com nem uma garota…..

    • Lately we have had positive feedback for the words written here. Around the world there seems to be an awakening for the light of freedom to rise in countries thought eternally opspresed.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: