Próxima segunda no fórum: sexualidade feminina

setembro 15, 2011 às 1:18 pm | Publicado em Fórum de Debates | Deixe um comentário
Tags: , , , ,

O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticeli

SEXUALIDADE FEMININA

  No “FÓRUM DE DEBATES” de SETEMBRO

19/09/2011 (segunda-feira) – das 19h às 21h

A Sociedade Paulista de Psicanálise promove mensalmente o “Forum de Debates”, com temas diversos e atuais com o intuito de trazer a tona reflexões sobre questões cotidianas. No debate deste mês, Sexualidade Feminina, o objetivo é identificar:

  • Primórdios das Manifestações da Sexualidade Feminina
  • A Relevância da Relação Pré-Edipiana
  • Os Efeitos da Castração:  03 possíveis consequências
  • Abertura para o Desenvolvimento da Feminilidade;
  • Saída Edípica: Equação Simbólica Pênis-Bebê
  • Leitura Lacaniana do Édipo
  • Lacan: “A Mulher Não Existe”
  • A Maneira Própria de Amar na Mulher
  • O Que quer uma Mulher?

Coordenação: Vera Lucia Muller Ando

Apresentação por Profa. Dra.  ALICE BEATRIZ B. IZIQUE BASTOS:

Doutora em Psicologia da Educação pela Universidade de São Paulo, com formação em Psicanálise pelo Instituto de Pesquisas em Psicanálise (IPP) da Escola Brasileira de Psicanálise. Profa do curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia da Universidade Gama Filho e da Universidade Metodista de São Paulo, e autora do livro “A construção da pessoa em Wallon e a constituição do sujeito em Lacan”, publicado pela Editora Vozes, em 2003 e co-autora do livro “Henri Wallon: Psicologia e Educação” publicado editora Loyola, em 2001.

Investimento: R$15,00 para associados e R$30,00 para não associados.

                                          Dirigido ao público em geral

 Inscrições:  antecipadas na secretária com Beth.

De 2ª a 5ª, das 14h30 às 20h30.

Local: Sociedade Paulista de Psicanálise – Rua: Humberto I, 295 – Vila Mariana – Tel.: 5539-6799 – sppsic4@terra.com.br

Inscrições abertas até 16/09/10 Vagas Limitadas

Anúncios

A psicanálise e o esvaziar-se de si

setembro 13, 2011 às 5:31 pm | Publicado em Artigos | 2 Comentários
Tags: , , , , , , , , ,

“A palavra foi dada ao homem para encobrir seu pensamento”, Stendhal

Por André Toso

Entre as inúmeras contribuições da psicanálise para a humanidade, talvez a que mais se destaque é a abertura da possibilidade de escutar o outro. A figura do analista representa um esvaziar-se de si mesmo e abrir-se para as inquietações, conflitos e, fundamentalmente, para o discurso do paciente. Para tanto, é necessário que o analista deixe do lado de fora de seu consultório todas as suas opiniões morais e escute as demandas do paciente sem julgamentos ou concepções pré-definidas. É ouvir o outro em sua inteireza, de forma depurada e sem misturar-se com o que é falado. É ouvir por ouvir, sem a ansiedade de uma resposta que se enquadre em um diálogo. É ouvir sem sequer pensar em construir um diálogo racional. O diálogo se constrói por si mesmo, nas entrelinhas, sensações e naturalidades da fala do paciente. É essa fala do paciente que leva à resposta do analista, como num eco. Não se trata de um diálogo construído: trata-se de um diálogo que simplesmente nasce em si mesmo.

Por isso mesmo, o psicanalista inglês Donald Woods Winnicott (1896-1971) diz que a sessão psicanalítica é um momento sagrado. Sagrado, pois consiste em uma tentativa de encontrar a verdade que não está nas palavras e sim na essência do que é cada ser humano. A verdade que não pertence nem ao analista nem ao paciente. A verdade que pertence à própria experiência humana. Uma verdade intangível, que se estabelece diante da singularidade de cada um e escapa a teorias ou enquadres. Uma verdade que transcende – própria da experiência de cada paciente. Uma verdade que nunca é totalmente revelada, mas pode ao menos ser parcialmente iluminada.

Uma boa análise objetiva libertar o paciente de suas próprias amarras fantasiosas e das amarras do meio social em que ele vive. É libertar o paciente do discurso do Outro – como diria Jacques Lacan (1901-1981) –, do discurso dos pais e mães. Mas esses pais e mães ultrapassam em muito a barreira familiar e não são apenas os biológicos. A psicanálise busca libertar o paciente do discurso do poder, das instituições, tradições, imposições e até mesmo das leis que regem a vida social. É libertar o paciente do discurso inventado pela própria história humana. É desintoxicar a mente do excesso de discurso, do excesso de palavras, do excesso de regras estabelecidas que se estendem ao longo da trajetória humana. O papel da psicanálise é reinventar a experiência humana contestando tudo que até então foi imposto ao sujeito pelo discurso externo. É limpar os signos e símbolos em excesso que sufocam o humano e lhe tiram seu caráter misterioso, subjetivo, essencial e quase místico. A psicanálise trabalha com a palavra narrada para desgastá-la a ponto de ela perder sua importância central e restar apenas a essência. A palavra – que muitas vezes cega – é substituída pelo sentir.

É esse sentir que levará o paciente a criar sua própria ética. Uma ética que não responde a instituições ou regras estabelecidas, mas que ecoa dentro de sua essência. Uma ética que dispensa a obrigação e o apalavrado – que é essência em si mesma. O paciente, ao estar diante de um analista que se esvazia para contê-lo, aprende também a esvaziar-se para conter todos que o cercam na comunidade. Aprende a olhar o outro sem barreiras morais, respeitando as singularidades, experiências e vivências de cada um. Um ser humano analisado aprende a respeitar o espaço de si e do outro, separando o seu querer e poder do querer e poder do outro. Ele aprende a delimitar-se na relação com o outro, respeitando-o e sabendo instintivamente que para construir-se é preciso do outro, mas que esse outro também está ali para construir-se com ele. Esse paciente aprende a olhar a si e ao outro respeitando o mistério da experiência humana. Respeita-se a si, respeita-se o outro e respeita o próprio mistério do existir humano. É um ser que consegue esvaziar-se de si para acolher o outro. É alguém preparado a conviver com unidade e em comunidade.

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.