Voz doce transmite empatia

janeiro 27, 2011 às 7:36 pm | Publicado em Notícias | Deixe um comentário
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Do Portal Mente & Cérebro

O modo de falar de cada pessoa tem musicalidade, e essa variação de tom e ritmo, conhecida como prosódia, transmite emoções. Um estudo realizado por cientistas da Universidade do Sul da Califórnia sugere que pessoas com modo de falar mais doce e melodioso estão predispostas à empatia. Por meio de exames de ressonância magnética funcional, os pesquisadores mediram a atividade cerebral de voluntários enquanto falavam ou ouviam vozes com entonações de felicidade, tristeza, interrogação ou neutralidade. Assim descobriram que a área de Broca, que funciona como centro da fala no cérebro, era ativada quando o voluntário ouvia ou falava algo com entonação animada. Participantes com nível mais alto de atividade nessas áreas apresentavam maior empatia.

Ao contrário do que ocorre com a gramática, a semântica e outras propriedades do idioma, a prosódia é universal entre as culturas e espécies. “Animais de estimação, por exemplo, entendem comandos pela entonação da voz, não pelas palavras em si”, observa a neurocientista Liza Aziz-Zadeh, principal autora do estudo. A pesquisadora explica ainda que a prosódia é essencial para a comunicação social.

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Entrevista com Elizabeth Roudinesco

janeiro 20, 2011 às 4:20 pm | Publicado em Notícias | 1 Comentário
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Entrevista com a psicananalista Elizabeth Roudinesco publicada no jornal O Estado de S.Paulo em 2009, às vésperas do aniversário de 70 anos da morte de Freud.

Por Andrei Netto

Estamos a 70 anos da morte de Freud. O que ainda é tão representativo em sua obra? Por que ele é uma referência para a própria humanidade?

Ele é o único a ter teorizado, assim como seus herdeiros, o que chamamos de inconsciente. Não falo do subconsciente nem do inconsciente dos psicólogos. Eu me refiro ao inconsciente, que pode ser traduzido pela noção de que, quando alguém fala, não sabe o que diz. Há milhões de exemplos concretos, como o ministro do Interior da França (Brice Hortefeux), que fez declarações racistas na semana passada. Conscientemente, ele não é racista. Inconscientemente, sim. Mas julgamos alguém por seu inconsciente? Sim, se ele é ministro. Mas, via de regra, não podemos enviar alguém aos tribunais por seu inconsciente. Podemos dizer: “Comporte-se!” Muitas pessoas são inconscientemente racistas e antissemitas. Quando não há lei, esses sentimentos se exprimem.

Está no inconsciente? É inexorável?

É inexorável. Freud dizia, com razão, que a única maneira de impedir o crime é a lei, a civilização. No fim do século 19, havia pessoas e governos pública e oficialmente racistas. Não era proibido.

Permita-me retomar a questão: por que Freud ficou marcado como o homem que sintetiza o século 20?

Porque ele aportou algo de novo. Ele estava no prolongamento da filosofia do sujeito. Ele trouxe explicações que a filosofia havia pensado, mas ele lhes deu um assento teórico. E isso não me surpreende. Além disso, Freud permite compreender os dois totalitarismos do século 20: o nazismo, sobre o qual pensou e anteviu melhor do que qualquer outro, e o comunismo, que não teve nada a ver com sua ideia original, com o marxismo. Os dois, aliás, são diferentes: o nazismo se inscreveu desde seu início, sabia-se o que esperar; o comunismo caminhou para o lado errado. Mesmo assim, Freud viu que ele não funcionaria. É verdade que ele era conservador, assim como muitos de seus herdeiros. Mas há muitos freud-marxistas, muitos freudianos de esquerda – que são os meus preferidos, aliás. Nessa época, psicanálise era uma teoria da regeneração do homem, da emancipação. Quatro coisas nasceram ao mesmo tempo: o sionismo, o último movimento de emancipação dos judeus; a psicanálise, que é a emancipação do inconsciente; o socialismo, a emancipação social; e o feminismo, a emancipação da mulher. Era um grande movimento. O século 20, como anteviu Freud, foi o triunfo do contrário – o que pode ser resumido no nazismo. Freud afirmou que o triunfo do contrário já estava lá, entre nós, naquela época. E disse ainda: “Atenção, eu sou a favor da emancipação, mas o homem é habitado pelo contrário disso.” Eu creio que ele foi o único a dizê-lo. É um dos motivos pelos quais é o Homem do Século 20. Por outro lado, ele jamais abandonou a ideia do progresso. Freud foi um homem progressista. Contra Schopenhauer, contra os grandes conservadores de seu tempo, contra os que eram inteiramente pessimistas em relação ao progresso, acusando-o de não servir para nada, Freud disse: “Sim, ele serve.” Foi por isso que eu o chamei, depois de Adorno e outros, como a “luz sombria”, marcada pelo iluminismo, mas sem muitas ilusões. Esse vínculo, o fato de ter pensado a relação entre as duas coisas, o levou a pensar ao mesmo tempo que o pior e o melhor podem acontecer com o homem. Ele nunca foi antiprogressista, ao contrário do que se diz. Por tudo o que mencionei, ele está no centro dos dias de hoje. Você não pode pensar o sionismo, o feminismo, a liberação das mulheres, a transformação da família, sem passar por Freud em determinado momento.

Se Freud é o homem do século 20, qual é o seu lugar no século 21?

É o mesmo. A maioria dos psicanalistas tornou-se conservadora. Não 100%, mas a maioria é conservadora. Por quê? É uma de minhas grandes interrogações. Eu não o sou, e no Brasil eles são menos. Diria até que são menos na América Latina. Mas eles são conservadores por diversas razões. Os lacanianos não deveriam sê-lo, já que Lacan relançou o pensamento da rebelião, da contestação. A Internacional Freudiana tornou-se conservadora porque caiu na repetição do dogma. Eles não se renovaram, tornaram-se um movimento dogmático, centrado sobre a clínica e não sobre a reflexão a respeito da sociedade e do indivíduo. Além disso, cometeram o erro de dialogar demais com as ciências duras, ao crer que o debate sobre o cérebro e os neurônios era essencial. Sempre afirmei que esse debate não era essencial, porque o cérebro e os neurônios não precisam de psicanálise. Não há muito o que fazer com isso, senão dar medicamentos. Mas se a psicanálise se ocupa apenas disso, afastando-se das moeurs (expressão francesa para costumes), ela se torna conservadora, familiarista. Os psicanalistas se desinteressaram dos assuntos sociais. Foi assim que se tornaram conservadores.

Por que a psicanálise brasileira é menos conservadora?

A América Latina, e sobretudo o Brasil, é uma sociedade que espelha a Europa. Os psicanalistas brasileiros são ecléticos. Em alguns momentos são culturalistas, e nos chateiam com a sua brasilidade – não esqueça que houve na França a francilidade e na Alemanha a germanidade. Mas, fora isso, eles, como espelho da Europa, importaram conhecimento. Ao importar, misturaram-no. E o ecletismo dos brasileiros – mais do que dos argentinos, que são menos ecléticos – se formou pegando um pouquinho de Freud, um pouquinho de Lacan e por aí foi. Isso funciona porque questiona o dogmatismo. Eles desconstruíram, para empregar a expressão de Derrida, o dogma europeu.

Voltemos a Freud. Ele não avançou em dois domínios: as crianças e os psicóticos. Por quê?

Sim, ele avançou sobre o tema da infância. Ele nos deu a base da análise da infância. O que se pode dizer é que sua corrente não triunfou no mundo psicanalítico quando se fala em infância, e sim a de Melanie Klein. Nisso, estou completamente de acordo com você. Foi ela quem fundou a psicanálise da infância. No entanto, tudo isso é psicanálise. Ela engloba todas as correntes. Sobre os psicóticos, você tem razão. Freud não acreditava que seria possível analisar os psicóticos. Muito cedo, quando ele compreendeu que essa era a “Terra Prometida” – bem antes da aparição dos medicamentos -, quando ele percebeu que quase todos os seus discípulos eram psiquiatras e trabalhavam com a psicose, ele se desinteressou, embora não tenha desestimulado ninguém. É verdade que é um domínio muito problemático. A análise se faz para os neuróticos. A “cura” analítica funciona muito para os neuróticos, porque, como eles não se curam, se acomodam. E, como transformamos a neurose de fracasso em neurose de sucesso, a cura funciona. A psicanálise torna mais inteligente, mais corajoso, mais apto na sociedade. A psicanálise funciona muito bem. Entretanto, é verdade que não curamos bem a psicose, embora tenhamos nos desenvolvido muito nesse tema também. Os loucos hoje buscam na psicanálise um complemento, já que os psiquiatras só querem saber de medicamentos. Se não há a psicanálise, o paciente vira um legume, um morto em vida.

No início, com Freud, a psicanálise era um processo breve, rápido. Hoje, é o contrário, estende-se por anos, décadas às vezes. O que mudou?

Era rápido porque Freud fazia seis sessões por semana de uma hora. Era intensivo. Há também o fato de que estendemos a análise para domínios não previstos de início, o que a tornou mais difícil. Mudou-se a modalidade da cura, também. Há pessoas que precisam falar sempre, ao longo de sua vida. Mas é verdade que Freud ficaria chocado hoje. Duas vezes por semana, durante 10 anos? Não! Para Freud, era de seis meses a um ano, todos os dias, por uma hora. Quando não era possível, como Marie Bonaparte, tudo bem. Ela ficou 14 anos em análise.

Freud esforçou-se muito para dar à psicanálise o status de ciência, mas ela sempre esteve na alça de mira de cientificistas ortodoxos. Como a psicanálise responde a essas críticas? E por que ela deve ser considerada uma ciência?

Freud oscilou, hesitou muito entre o status de ciência, no sentido de ciência dura – ele queria no fundo que a psicanálise fosse uma “neurologia da alma” – e um outro status, que ele não chamava filosofia, mas ainda assim estava do lado da especulação, da literatura e da filosofia. Ele renunciou completamente e muito cedo ao status de ciência dura, porque se deu conta de que não se tratava de uma ciência no sentido que se conhece. Logo, é preciso inscrever a psicanálise no registro das ciências humanas. É uma ciência, no sentido da racionalidade, mas não no mesmo sentido da biologia e da neurologia. Freud se dividia entre as duas concepções. Não estamos mais no tempo do darwinismo, e a biologia é reconhecida como uma ciência, uma ciência da natureza. A psicanálise não o é de modo algum. Não tem metodologia, resultados ou a positividade das ciências duras. É uma ciência mais próxima das Humanas, como a Antropologia, a Sociologia, a História. Mas mesmo essa concepção, a de parte das ciências humanas, já foi contestada.

O pensamento de Freud é íntegro e poderoso ainda hoje? Sua força criativa ainda é existe?

Sem dúvida. Creio que vamos assistir a um grande retorno a dois pensadores, inclusive: Marx e Freud. Não ao comunismo e à psicanálise, mas a Marx e Freud. Autores como Marx, Freud, Nietzsche e toda a filosofia da rebelião se tornaram malditos nos últimos 20, 30 anos, quando caímos em um estado de neoconservadorismo. A crise econômica, em especial como a que se passou nos Estados Unidos, vai desempenhar um papel considerável. Vamos voltar ao pensamento da rebelião.

Como as ideias de Freud retornarão? Com que aplicação?

Retornarão com as de Marx. Mas não sei como serão aplicadas. O que está voltando com muita força é a ideia de que temos um inconsciente, de que o desejo é capital. A psicanálise, bem pensada, permite compreender a moeurs, o inconsciente, o desejo e a sexualidade de uma forma inteligente. É uma teoria do desejo, afinal.

 

A senhora vê conceitos de Freud confirmados pelos progressos da ciência ou por novas tecnologias?

Não. Os progressos da ciência são os progressos da ciência. Nenhum dos conceitos de Freud é confirmado pela biologia. São dois domínios diferentes. A psicanálise é a medicina da alma. É especial.

Assim como a psiquiatria, em sua origem?

Hoje não há mais psiquiatria. E, logo, nos damos conta de que existem cada vez mais loucos. Porque são usados apenas medicamentos, ela não funciona mais. É útil, mas não resolve. É muito interessante o que se passou na psiquiatria. Biologizaram-na. Até então, era um equivalente da psicanálise. Era uma medicina da alma. Mas a deslocaram para a biologia. Curamos a loucura? Não. Acalmamos os loucos? Sim. Vivemos um recuo de 50 anos com a psiquiatria “biologizada”.

A obra de Freud é marcada por sua didática, sua clareza. E esse não me parece ser o caso dos pensadores da psicanálise contemporânea. De onde vem esse problema de comunicação?

Esse problema é enorme. Os psicanalistas escrevem em clichês. Mesmo que Lacan seja um autor difícil de ler, não se trata de um clichê. Além disso, mesmo que os seguidores de Lacan escrevam em secto, os freudianos também o fazem. Freud era um autor claro, o que influenciou todo o movimento psicanalítico. Hoje, quando leio psicanalistas freudianos norte-americanos ou ingleses fico impressionada com os clichês que estão presentes. É um símbolo muito grave de encerramento sectário. Quando os intelectuais se fecham em torno de si mesmos, eles falam a linguagem de uma tribo. No interior, a tribo se compreende. Eu sempre compreendi a tribo, mas não posso escrever como ela. Não sei fazer. Sou muito clara. Às vezes os antropólogos e sociólogos que queriam se divertir me perguntavam se eu, como psicanalista, não me sentia como o antropólogo que chega à Melanésia e que deve decifrar a linguagem da tribo. É uma alegoria exata. Eu decifro facilmente essa linguagem. Mas para você, que a lê, não deve ser fácil. A psicanálise é mais afetada pelos clichês que a filosofia, por exemplo.

O meu ponto é: se o problema da clareza da comunicação existe, o que torna a psicanálise tão popular em todo o mundo?

Ela é popular em todo o mundo, mas o é de uma forma inconveniente. Por exemplo, ela é popular em muitos países, infelizmente, pela forma da psicologia interpretativa dos chefes de Estado. Eu recuso todos os pedidos de entrevista sobre as fantasias dos chefes de Estado. Mas isso a TV adora, sob a forma da psicologia. Todos os antifreudianos, todos os que não gostam da psicanálise, dirão que ela está em todo lugar. Sim, os psicanalistas estão em todo lugar, mas sob que formas! É ridículo!

Dimensões do silêncio

janeiro 14, 2011 às 5:38 pm | Publicado em Artigos | Deixe um comentário
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O psicanalista Gilberto Safra

Por André Toso

Em conferência realizada em 2009, o psicanalista e pensador brasileiro Gilberto Safra falou sobre as dimensões do silêncio. Apenas o título da palestra já seria tema de reflexão e de curiosidade. Mas o conteúdo da fala de Safra impressiona. Seu pensamento, moderno e multidisciplinar, faz estudantes e psicanalistas pensarem além do óbvio e abandonarem a preguiça intelectual. E o mais interessante é que os tecnicismos ficam de lado e qualquer indivíduo que consiga interpretar um texto consegue usufruir da sabedoria deste pensador.

Utilizando a prática clínica do pediatra e psicanalista inglês Donald Woods Winnicott (1896 – 1971) como base, Safra afirma que o silêncio deve ser tratado como um dos temas fundamentais de nosso tempo e, por consequência, da psicanálise. Para Winnicott, o estado em que o ser humano pode recomeçar e se entender é quando ele goza da solitude. E essa solitude, por sua vez, só pode ser alcançada em um momento em que o paciente se encontra totalmente dependente e, portanto, não se sente como um ser. “É aí que o individuo inicia a experiência de si mesmo, como só”, diz Safra. É neste momento que ocorre o fenômeno da comunicação silenciosa.

No momento da análise, inúmeros pacientes, ao se depararem com o silêncio, não vivem uma experiência de presença e sim de agonia diante do impensável, do indizível. Pelo fato de o sofrimento do analisando sempre expressar algo sobre o mal-estar contemporâneo, tem-se aí a importância que o silêncio tem em nossos tempos, e como é difícil encará-lo. Por isso, o analista deve ser silêncio para acolher a singularidade do paciente. Mas ele deve ser também objeto interventor, pois se for só silêncio convidará o analisando a cair em um precipício ao qual ele não está preparado.

Assim como o bebê, o paciente necessita de um ser humano que lhe seja objeto e presença. A presença é que a mãe possibilite o bebê ser no estado de quietude. A beleza da frase é óbvia. Apenas com o olhar, com a presença física, sem palavras, já que o bebê não tem ferramentas de comunicação, é que a mãe consegue fornecer ao seu filho o amor e o conforto que ele necessita. Na clínica esse também deve ser o papel do analista: criar um vínculo tão forte com seu paciente que o silêncio, o estar juntos em uma sala sem precisar de signos, transforme-se em presença.

Para Safra, a experiência de encontro do objeto possibilita a ação no mundo, e é isso que favorece a abertura para a realidade. Já a experiência de presença possibilita o estabelecimento do estado de quietude e o encontro do silêncio na interioridade do si mesmo. O silêncio na interioridade do si mesmo oferta morada ao núcleo do self que jamais se comunica (a parte de todos nós que não contém palavras, que é só instinto, pulsão).

Para Safra, e isso é muito bonito, o silêncio de si é paradoxalmente a presença silenciosa do outro. O analisando, portanto, precisa do objeto para mover-se no mundo e do silêncio para encontrar-se com seu mundo interno, que é intraduzível e indizível. O analisando, mesmo sem saber, busca esse indizível, essa não representação simbólica. Para explicar isso, Safra afirma que no mundo contemporâneo, onde tudo é significado, onde os signos formam toda a realidade, as pessoas buscam um silêncio, que pode estar em um desejo de morte ou em um desejo de ver o mundo desnudado, sem significado, não-nomeado.

O mundo, cada vez mais hiper-estimulado e funcional, tem cada vez menos a presença do silêncio. O homem, assim, atordoa-se em uma maré de informações e necessita de um silêncio que seja hospitalidade e não indiferença. Safra exemplifica com um analisando que vibrou ao ver uma cratera no asfalto de uma grande avenida da cidade. “Se tem uma cratera nessa avenida, o mundo tem esperança”, disse o paciente. Ele celebrava a visão da terra em meio a um mundo repleto de medidas, de coisas criadas pelo homem e não naturais. O analista, assim, deve conhecer a importância da palavra e também da não-palavra. Deve estar ciente da importância do silêncio do encontro com a presença do outro, com a terra originária (como no exemplo da cratera) para além da funcionalidade. É isso que possibilita a experiência de descanso para o ser humano. Ver o mundo como ele é e não vestido de asfalto e de significados.

Safra diz que indivíduos aprisionados em lucidez medonha, não podem dormir e nem acordar, vivem em contínuo estado de agonia, que pode levá-los a uma organização defensiva de tipo psicótica. Muitas dessas pessoas sentem-se tão sós, que se sentem fora da experiência de pertencer à humanidade. Acolher o silêncio do paciente, sem excesso de interpretação, é a saída. É mostrar para aquele ser, cheio de medidas e mais lúcido do que deveria, que o mundo é mistério e, por consequência, sua própria existência também é misteriosa.

Safra também diz que outras pessoas que também vivem uma lucidez medonha se organizam em um tipo de funcionamento niilista. Elas precisam continuamente atacar tudo aquilo que é social e isto se transforma em um estilo de vida, mas guardam em si a esperança de um encontro que as retire de um mundo organizado por artifícios. Elas buscam o silêncio.

Por tudo isso, para Safra, a posição diante do analisando deve ser mais ética do que técnica. O lugar ético do psicanalista demanda o enraizamento de si e da situação clínica no silêncio, que possibilite que o analista possa ser presença e objeto para o analisando. Especialmente para aqueles que foram capturados pela mentalidade hegemônica do mundo, na qual observamos a ênfase na funcionalidade, na hiper-realidade, no excesso de palavras vazias.

Em resumo, nesta conferência Safra nos fala sobre o silêncio como fundamento para gerar o encontro do paciente consigo mesmo e, por consequência, com o analista como presença e objeto. O analisando fala de suas experiências conscientes, o analista ao invés de interpretar tudo, tem um dever ético de respeitar o silêncio do paciente, pois é isso que ditará o ritmo da análise e mostrará ao analisando seu mundo interno, aquele que não possui palavras que o representem.

PARA LER A CONFERÊNCIA CLIQUE AQUI

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Bebês são capazes de entender o ponto de vista de outra pessoa

janeiro 11, 2011 às 12:59 pm | Publicado em Notícias | Deixe um comentário
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Por Sindya N. Bhanoo, do The New York Times

Bebês de até sete meses conseguem perceber e compreender o ponto de vista de outra pessoa, segundo um novo estudo na revista “Science”. Antigamente considerava-se que essa habilidade, conhecida como “teoria da mente”, só se desenvolvia a partir dos 3 ou 4 anos de idade.

“Crianças mais novas têm dificuldade em acompanhar cenários complicados”, afirmou Ansgar Endress, psicólogo cognitivo do MIT e um dos autores do estudo. Assim, em vez disso, Endress e seus colegas usaram um cenário simples para testar as habilidades perceptivas de bebês e adultos.

Eles exibiram vídeos animados onde uma bola rolava por trás de uma parede e, a cada vez, ou ficava ali, ou rolava para fora do campo de visão, ou rolava para fora do campo de visão e retornava. Na animação também havia um personagem de cartum, mas nem sempre ele testemunhava o destino final da bola.

Os adultos foram capazes de determinar mais rapidamente onde estava a bola quando a opinião do personagem correspondia à verdadeira localização – indicando que os adultos levavam em consideração a perspectiva do personagem. Embora esse monitoramento tenha sido mais difícil nas crianças, os pesquisadores descobriram que os bebês fitavam a tela por mais tempo quando a expectativa do personagem sobre o local da bola não correspondia à realidade.

A partir disso, eles deduziram que os bebês compreenderam o ponto de vista do personagem do vídeo. Segundo ele, a pesquisa pode ajudar os psicólogos a entender melhor o funcionamento de uma sociedade. “Se a pessoa quer trabalhar em conjunto, se quer cooperar, se quer se comunicar – isso só é possível quando se considera a perspectiva do outro”, concluiu ele.

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