Os três registros e a subjetividade do sujeito

novembro 18, 2010 às 2:41 pm | Publicado em Curso | Deixe um comentário
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Sou eu ou o Outro?

A terceira e última aula sobre Lacan, ministrada pela psicóloga e psicanalista Alice Beatriz Barreto Izique Bastos, se iniciou com uma explicação sobre os três registros postulados pelo autor: imaginário, simbólico e real. No imaginário, segundo a professora, a criança ainda é um desejo da mãe e se encontra em simbiose com ela. Trata-se de um desejo alienado ao desejo do outro. Portanto, ainda não existe um sujeito. Para a constituição dele é preciso que a criança seja objeto do olhar deste outro. Só depois de se diferenciar e se distanciar é que a criança entra no registro simbólico.

Neste segundo registro, ocorre uma relação entre o inconsciente e a linguagem repleta de duplos sentidos e de equívocos. É isso que formará a singularidade e a subjetividade de cada um de nós. Os significantes que formam o sujeito se articulam entre si em uma cadeia. Para finalizar, o último registro é o real que, diferente do nome, não tem nada de palpável. Para Lacan, o real, no sentido estrito da palavra, é algo sem representação, sem formas, um verdadeiro buraco, uma falta que não cessa. É ausência de sentido, o impensável, que não pode ser simbolizado. Para Lacan, somos marcados pelo discurso do outro e a linguagem é uma cadeia simbólica.

Subjetividade do sujeito

Para o psicanalista francês, o sujeito da psicanálise é aquele descentrado, em que a consciência não forma seu centro. Portanto, Lacan acredita que a consciência é uma ilusão e toda certeza é, na verdade, enganosa. Isso vai de encontro com a teoria freudiana. Freud alterou a famosa frase de Descartes. O “penso, logo existo” foi trocado pelo “penso onde não existo”. Essa idéia de Lacan também casa com o pensamento do filosofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que em seu livro Além do Bem e do Mal (1886) afirma que a consciência engana o filósofo e que uma filosofia de verdade deve sempre duvidar do próprio pensamento.

O ego como mera ilusão de Lacan vai contra a psicologia do ego norte-americana e o racionalismo. O homem, antes centro de seu próprio universo, não controla sequer seus próprios pensamentos. A pergunta que vale para Lacan é sempre: “Sou eu ou o outro?”. A imagem do outro introjetada é a que constitui o sujeito. Portanto, é apenas no inconsciente que temos a referência de nós mesmos, onde se encontra a verdadeira realidade psíquica do homem.  O pensamento, assim, passa a ser ilusório e o sujeito vai muito além do ego, que em grande parte também é inconsciente.

Por isso, para Lacan, o saber da psicanálise não é absoluto, e sim singular e incompleto. O inconsciente é um saber onde não existe um eu, e é estruturado como uma linguagem: o discurso do outro. Essa estrutura de linguagem incide sobre o sujeito à sua completa revelia. Para Lacan, a palavra é a morte da coisa. O que somos, como diria Chico Buarque na letra de “O Que Será”, é aquilo que não tem nome nem nunca terá. O psicanalista, assim, deve deixar de lado seu suposto saber e ter a humildade de perceber que ele e o paciente , em última instância, sofrem do mesmo sintoma: uma busca por uma completude imaginária que nunca poderão alcançar.

Para ler a primeira aula de Alice CLIQUE AQUI

Para ler a segunda aula de Alice CLIQUE AQUI

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