Crise de Meia Idade – Castração e anima – Parte 3

setembro 4, 2010 às 2:18 am | Publicado em Artigos | Deixe um comentário
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Castração e anima

Entenda porque a crise de meia idade masculina é descrita por psicoterapeutas e médicos como um dos mais desestruturantes processos experimentados por um homem

Parte 3

Fernando Savaglia

O psicanalista Eduardo Albano Moreira compara a crise de meia idade masculina como um segundo sair de casa, considerando a expressão “sair de casa” como uma metáfora para a ação do homem no mundo. “A primeira saída de casa se dá muito influenciada pelo desejo ou oposição aos pais por volta dos 20 anos e é uma separação apenas parcial”, opina.

Para o terapeuta, a crise se inicia quando o indivíduo busca um caminho em direção à posição de sujeito, isto é, passando a atuar no universal, deixando o particular da família. “Este processo nada mais é do que a inevitabilidade de se desligar do que é particular e confortável. É a aceitação da falta, entendendo que nenhum objeto passível de investimento vai estar sujeito a um investimento total como você foi pelo seu pai e pela sua mãe. Isto é a castração”.

Para Moreira, o que torna o processo mais doloroso é que o confronto com a crise se dá sem o homem poder utilizar suas ferramentas de ação no mundo, conquistadas até então “A sensação é a de que quando eu descobri as respostas, a vida mudou as perguntas”, sintetiza.

O analista ressalta ainda outro aspecto sofrido que muitos homens experimentam durante o processo: a paixão quase sempre obsessiva por uma mulher mais nova. “Esse encantamento, que às vezes desencadeia a crise, é antes de tudo um investimento na não aceitação da falta. Mais que uma paixão, o indivíduo vai buscar uma promessa de acolhimento similar à função materna. O problema é que naquele momento ele se sente desprovido de seu falo simbólico e, portanto, insuficiente e não merecedor daquele amor. A sensação é de total desamparo”, explica.

Para Jung, essa paixão avassaladora durante a metanóia é resultado da projeção de anima, o arquétipo que representa a feminilidade inconsciente presente em toda psique masculina. A percepção da anima tende a se intensificar justamente no período que marca a metade da vida do homem, possibilitando assim integrá-la, resultando na completude do ser, processo este denominado pelo psiquiatra suíço como individuação.

Existem indícios que o próprio Jung tenha experimentado durante sua metanóia uma ardente paixão por Sabina Spielrein, uma de suas pacientes, não por coincidência vários anos mais jovem que ele.

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